
Tudo na vida precisa de disciplina e limites. Isto para evitar as compulsões. E as compulsões nada mais são que uma forma de adicção. Ser adicto é ser escravo. Escravo das drogas, do álcool, da comida, do sexo, do jogo, e como está na moda agora, até do trabalho. Para um adicto é difícil pensar em viver a vida sem a compulsão de sua preferência. Tenho uma amiga, cuja irmã joga no bingo o que tem e o que não tem. Já abandonou marido no dia do aniversário de casamento deles, já abandonou filha pequena com vizinho por dois dias seguidos e ficou pulando de uma casa de jogo a outra numa compulsão implacável. E o pior de tudo, sempre tem uma resposta na ponta da língua para justificar e negar sua doença.
O primeiro passo para a recuperação é o doente admitir que se é impotente perante sua adicção e que ele não consegue mais controlar sua vida.
Que coisa triste é não ter domínio sobre si mesmo...Isto significa admitir a derrota pessoal
E isto ninguém quer para si. Daí a negação e a justificação. (Fulano bebe ou usa drogas porque a mulher é terrível, o outro não sai da jogatina porque precisa se distrair , e por aí vão as desculpas – justificativas – e a culpa é sempre do outro...)
Por mais que doa no adicto, o primeiro passo é a admissão da derrota perante si mesmo. Este é o alicerce para construir uma nova maneira de viver
Esta rendição (admissão da derrota) significa que não se precisa mais usar drogas, ou comer, ou jogar, enfim, usar a compulsão para viver. Render-se é admitir o tamanho real da compulsão e estar pronto para olhar para a vida, para suas ações e idéias como elas realmente são, sem fantasias que gerem absurdas justificações.
O princípio espiritual da rendição exige humildade e mente aberta.
Soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula, preguiça, manipulação emocional, negação, justificativa, autopiedade e racionalização são defeitos de caráter que todo adicto possui. Estes defeitos precisam ser reconhecidos e eliminados. A pessoa pode até parar de usar drogas, de jogar compulsivamente, de comer e beber feito um louco, de trabalhar e fazer sexo descontroladamente, mas, se não eliminar estes defeitos, não consegue se recuperar. Não alcança a sobriedade. E mais cedo ou mais tarde voltará à ativa até com mais força.
Tudo isto quer dizer, que ninguém precisa de nenhuma compulsão para viver. Com sobriedade há esperança de se poder funcionar no mundo em que se vive e encontrar sentido e significado na vida .
Quando se admite a própria impotência e incapacidade de controlar a própria vida, abrem-se as portas para que Deus possa agir e ajudar.
Como dizem os Narcóticos Anônimos, “não é onde estávamos que conta, mas para onde estamos indo”. E certamente alguns estão indo em busca da sua recuperação.
E então serão livres de verdade.
Contem comigo, conto com vocês.
Irani m. Vitorino de Castro
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12 – 3674-3899


















