
Um dia desses fui chamada por uma senhora que tem o neto adicto, para conversarmos sobre ele, ver o que se podia fazer, tentar ajudá-lo, caso ele quisesse.
No entanto, ela foi logo dizendo, muito nervosa, que eu falasse o que quisesse, menos de LIMITE. Ela odeia esta palavra e insistiu que eu não falasse de limites.
Claro que respeitei o pedido dela, e como era de se esperar, o assunto deu em nada. O neto não quer ajuda, e as coisas vão de mal a pior. Fiquei muito triste e preocupada, tentando adivinhar porque aquela senhora detesta tanto aquela palavra, porém desisti. Deixo este assunto para os profissionais habilitados para isso. Mas quero falar de limites. Tentar dissolver o mal entendido, pelo menos para outras pessoas.
Limite é a linha de demarcação, real ou imaginária que separa dois terrenos vizinhos.È a fronteira.
O limite orienta, protege, mostra até onde vai isto e onde começa aquilo.
Na educação, os limites são formado por um conjunto de regras que existem para mostrar caminhos. Não há nada de castrador em determinar limites para nossos filhos, desde muito pequenos. Vejamos: a criança bem pequena precisa de horários para alimentação, banho, sonecas e brincadeiras, a fim de crescer saudável e feliz.(Já pensou em um bebê que come o tempo todo e não tem hora para dormir? Coitada da mãe, ou de quem cuida!) Depois mais tarde, precisa de horários para estudar, brincar, jogar o vídeo game, jogar no computador. E lá na adolescência, precisa de horários para chegar em casa, para estudar, enfim, precisa de regras. Nós pais devemos entender que, as regras que estabelecem os limites não devem ser imutáveis. Elas devem ser propostas e negociadas até serem aceitas. Lá na frente, talvez elas não sejam mais adequadas e nesse caso, não adianta mantê-las. Quer ver? Uma criança de dez anos não deve estar na rua às dez da noite. Mas, e um rapazinho de dezessete?
Neste caso, uma nova negociação deve ser feita, de acordo com os padrões de cada família.E pode ter certeza, a criança desde muito cedo aprende a se identificar com os padrões da moral familiar.
Este processo é trabalhoso por exigir intervenção e flexibilidade, porém é eficiente e dinâmico.
Pais também precisam ter limites, serem sóbrios em todos os sentidos, para darem bons exemplos. Estes educam mais que mil palavras.
Assim, podemos entender que, para uma boa educação, e que nossos filhos possam dizer “não” às drogas, eles precisam confiar, amar e se identificar com a família que os protege.Sem determinar limites, isso é impossível.
Espero que aquela senhora e outras pessoas que não gostam da palavra limite, revejam sua maneira de pensar e entendam que os limites são necessários e que nossos filhos se ressentem quando eles faltam. Eles precisam saber que os limites não são como uma camisa de força e sim como uma proteção segura que ampara e cuida.
Contem comigo, conto com vocês.
Irani Maria Vitorino de Castro
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