Sexta, 18 de Maio de 2012
Você está aqui: Home Colunas Família x Drogas 17/01/2012 - Cracolândia

17/01/2012 - Cracolândia

E-mail Imprimir PDF

Temos acompanhado na mídia as questões que envolvem os dependentes químicos, em especial os usuários de crack.. É Cracolandia pra lá, é Cracolãndia pra cá. E como este é um ano de eleições no pais, aparecem os aproveitadores, verdadeiros urubus, se deliciando com a carniça alheia. Falam bobagens, prometem coisas que não podem cumprir, querem internar mil dependentes que não querem se internar, em míseras vinte e sete vagas em clínicas disponibilizadas pelo governo. Falando em clínicas é bom lembrar, que clinica não cura ninguém. O que faz com que o adicto se recupere, é a vontade inabalável de mudar o estilo de vida. È a vontade de parar de usar. Ponto final. O que a clinica pode fazer é ajudar a vencer a compulsão, mostrar as dificuldades pelas quais ele vai passar, e fornecer as ferramentas para a mudança de vida. E isto se a clínica for idônea, porque o que mais tem é clinica de picareta adicto que só quer a cesta básica enorme, mensalidade acima de mil reais e nadica de nada de tratamento. Vendo as imagens da tal Cracolândia, de fato muito chocantes, penso em nossa pacata cidade. Guardadas as devidas proporções, aqui mesmo, temos a nossa, e todo mundo sabe onde fica. Como é de conhecimento geral, este meu trabalho voluntário de esclarecer as famílias quanto ao assunto “drogas” se deve á adicção de minha filha, . Recaída, ela é mais um desses zumbis que povoam nossa bela cidade. Deixou filhas, trabalho, faculdade, família. Facilmente encontrada nas madrugadas, anda descalça, tem os pés em chaga viva, cabelo sujo, e magra, muito magra.A pele é acinzentada e as mãos são garras encardidas e amareladas pela droga. Então as pessoas que a encontram me passam e-mails me perguntando: “e daí?” Às vezes pensam que tenho todas as respostas, que sei tudo, que posso modificá-la. Não posso. Ela em seu livre arbítrio amorosamente concedido por Deus, escolheu este caminho. E já me disse que não quer mudar. Quer viver e morrer assim.O que nos resta, a mim, ao pai dela, às irmãs, às pessoas que a amam, é orar por ela, ter compaixão, e a caridade de respeitar sua vontade de não querer se tratar e mudar o rumo de sua história. Já foi internada duas vezes. Não aceitou o tratamento com sinceridade e na primeira oportunidade voltou ao começo. Por isto digo, que internação é uma única vez. Depois vira rotina, oportunidade de ficar de papo pro ar conversando fiado (que ela chama de partilha), ganhar uns quilinhos e voltar a fazer tudo de novo. O que fazer? Não sei. Terceirizar a situação para o governo ou para quem quer que seja, não vai resolver nada. Nem culpar ninguém. Penso que cada família deve cuidar muito bem é da PREVENÇÃO. Isto significa ensinar aos filhos desde muito pequenos que droga mata. Mata os pais que desenvolvem depressão e outras doenças terríveis, mata a alegria da vida, mata o sonho . No mais, a Cracolândia não é só lá... Ela está aqui. Que Deus nos proteja. Contem comigo, conto com vocês. Irani de Castro E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

17/01/2012 - Cracolândia