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10/02/2010 - Família x Drogas

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No auge do desespero, sem ter para onde correr ou recorrer, algumas mães aflitas me pedem para conversar com seu filho dependente químico.
Vou, mais para tentar aliviar o desespero delas, do que propriamente para conversar com ele. Nestes sete anos de labuta, poucas vezes consegui alguma coisa com o dependente. Porém sei, que algumas mães despertaram do pesadelo e resolveram enfrentar a situação, depois destas conversas. Graças a Deus.
Ontem, não foi diferente.
A mãe, uma senhora já na terceira idade, triste, mais envelhecida do que deveria estar, amargurada, sem entender o “porquê” de tanto sofrimento. Da família, e dele.
O dependente químico, que antes havia aceitado conversar comigo, sentado estava, sentado ficou. Afundado numa poltrona, rosnou um “boa tarde” sem mover um músculo da face.
Sentei ao lado dele, bem perto, e percebi logo que ele estava drogado. Perguntei se estava, e ele disse que sim, acrescentando que acabara de usar.
Não havia nada a fazer, ou falar. Ele não entenderia. Não naquele momento.
Sabemos que, para se ajudar um dependente químico, ELE precisa desejar do fundo do seu coração, ser ajudado. Não adianta a família querer, se ele não quer.
Admitir que é impotente perante a droga, que é um escravo dela, querer se libertar e pedir ajuda, corresponde ao primeiro passo. Aquele moço ainda não deu o primeiro passo...
Ficou a frustração, a tristeza , por ver um rapaz bonito, nem tão jovem, pai de duas crianças, curso superior, naquela situação.
Diante de quadro tão triste, constatei que a doença da adicção não escolhe sexo, idade, condição social, religião, nada. E são todos absolutamente iguais em sua doença.

Fiquei por ali, conversando com a mãe, por uns quinze minutos. Falei com ela sobre a doença, falei rapidamente da co-dependência (a doença da família), pedi que se cuidasse, que voltasse a se ocupar dela mesma.
O moço, na mesma posição, o olhar fixo em mim, sem nenhuma reação ou emoção. Foi uma experiência inesquecível.
Voltei pra casa pensando, que realmente, a droga mata. Mata sonhos, mata a alegria, mata o convívio familiar. Mata tudo. Isso  quando não mata os pais ou cônjuges  no sentido exato da palavra. E eles, os dependentes químicos que não querem uma nova vida, continuam sua caminhada no vício, na vida escrava e indigna. Até quando isto, meu Deus!!!
Contem comigo, conto com vocês
Irani M. de Castro
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