
Observo que, uma das maiores dificuldades da família quando o dependente químico termina o tratamento na clinica, é como recebê-lo. O que fazer? Como se comportar?
Para mim, de fato, esta foi uma enorme dificuldade porque os pais não são esclarecidos sob este aspecto nem nas clinicas, nem nos grupos de apoio.
Assim sendo, elaborei um “manual de sobrevivência” para a família, onde os principais destaques são:
O primeiro ponto é respeito. Respeitar aquele ser humano que está voltando, na maioria das vezes, modificado. Antes, nós familiares dávamos a ele o poder das decisões, ele era o chefe da casa, onde sua vontade era a lei.A vida girava em torno dele. Agora, acabou esta história. Ele é apenas mais um membro da família, e como tal, deve se comportar. No entanto, as decisões a respeito dos limites que envolvem este familiar, devem ser discutidas com ele. Isto é respeito. E, diante de cada situação ou proposta, deve-se sempre fazer pergunta: esta opção vai ajudá-lo, ou prejudicá-lo?
Existem famílias, que recebem o adicto em recuperação, com churrasco, festa, noitadas, onde o álcool está presente. Sabemos que, mesmo que o álcool não seja a droga de sua preferência, o familiar não deve beber de jeito nenhum, porque a bebida o torna fragilizado perante outras drogas.
Deve-se sim ser acolhedor e solidário, sem paparicar, sem ter pena ou ser permissivo.
É muito importante também não suborná-lo com presentes, viagens, promessas, dinheiro.
Celular, nem pensar. Sabemos que este é a “moeda” de troca.mais fácil nas bocas onde ele andava.
Estas coisas, ele deve conquistar por si próprios, na hora certa.
A família necessita também, ficar muito atenta aos mínimos sinais de pessimismo, imediatismo, compulsão, irritação, apatia, medo, desonestidade (mesmo as sem muita importância), intolerância, falta de fé, indisciplina, euforia, frustração, depressão, exaustão, impaciência, auto-piedade, arrogância. Já sabemos que estes são os primeiros sinais de alerta que antecedem uma recaída.

















