
Poucos pais de dependente químico admitem que o filho tenha um problema. Alguns minimizam, outros negam e tentam esconder de todos o que todos já sabem.
Para estes, é difícil aceitar que o filho tenha uma doença progressiva, incurável, e fatal se não for tratada.
Aceitar.
Como aceitar que seu filho tão lindo, tão educado, tão amado, tenha se transformado naquele monstro horroroso que rouba tudo em casa, que mente e engana todo o tempo? Como aceitar que aquele cônjuge amado, romântico, gentil, tenha se transformado num sapo, ou numa “sapa” diante das drogas?
Realmente, parece impossível.
No entanto, a aceitação é necessária, para ambos os lados. Para o dependente, e para o familiar. Nós aprendemos que o primeiro passo para uma mudança de atitude, é ADMITIR. Admitir alguma coisa é aceitar esta coisa. Mas não significa que é preciso aceitar e ponto.
É necessário aceitar, (admitir) até mesmo para buscar ajuda a fim de ter força e coragem para mudar.
Sob este aspecto, é necessário entender que a auto-aceitação é fundamental. Aceitar-se, é um exercício de humildade. Aceitar-se, é parar de vez com qualquer tipo de negação. Para o dependente químico, aceitar que a droga (ou o álcool) se tornou incontrolável em sua vida, faz toda a diferença entre continuar usando ou parar.
Na literatura de Narcóticos Anônimos, tem um folheto que explica muito bem esta situação. (IP 19 – BR – Auto –aceitação)
De um modo geral, o dependente químico não se aceita como pessoa humana, e como tal, falível e passível de muitos erros. A arrogância e prepotência inerentes á doença da adicção, o torna muito critico consigo mesmo, resultando em auto-aversão e auto-rejeição.
Assim, desejando ser perfeito, ele passa a querer ser e pensar, como se fosse outra pessoa. Como isto é impossível, ele continua usando drogas para tirar a dor de não ser quem gostaria de ser.
O mesmo acontece com pais e familiares do dependente químico. Ele não quer ter aquele filho drogado, cheio de defeitos de caráter. Ele quer o filho fofo e obediente, que foi sua maior alegria e esperança um dia.
Porém, a realidade é essa. O filho drogado. E é preciso admitir, aceitar que aquele filho, tem sim uma doença e que precisa de ajuda.
Aceitando nossas próprias limitações como pais, resolvemos o problema da expectativa da perfeição de nossos filhos. Quando nos aceitamos simplesmente como somos, aceitamos o outro como ele é.
Se nosso filho não é aquela Brastemp que a gente desejava, paciência. Temos que aceitá-lo com todos os seus defeitos, e fazermos os consertos e troca de peças quando for preciso...
E põe conserto nisso... Deus nos ajude!
Contem comigo, conto com vocês.
Irani de Castro
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