
Minha amiga me pergunta se deve ou não continuar o relacionamento com seu namorado dependente químico. E relata toda a dificuldade que é o convívio com ele.
Digo que, definitivamente não faço a linha “correio sentimental”, mas não resisto em dar meus pitacos...
Ora, entendo que, o namoro é uma fase de conhecimento entre duas pessoas para, no futuro partilhar a vida, compartilhar sonhos e expectativas. É um período em que as pessoas deveriam enxergar muito bem todas as possibilidades, tanto venturosas, quanto amargas.
Porém, sob o véu da paixão, ou da vontade louca de casar, muitas vezes não se tem o devido cuidado com o que se está vendo: cônjuge com problemas de álcool e outras drogas, problemas de comportamento, atitudes violentas, e por aí vai.
São situações difíceis, que geram frustrações e raiva. E mais tarde, mágoa e conformismo.
E aí?
A história que era escrita por um, passa a ser escrita por dois. Duas pessoas diferentes, com qualidades e dificuldades diferentes, passam a viver uma só história. E quando esta história inclui a dependência química, então fica muito mais difícil.
Como se sabe, a serenidade é sempre a melhor conselheira. É ela que dá a possibilidade de aceitar as coisas que não se pode modificar. E ninguém modifica ninguém. Namorar aquele gato drogado pensando que vai “tirá-lo desta vida”, é perda de tempo.
O que certamente vai acontecer é que ele vai virar um sapão chato, que vai roubar sua vida e seus sonhos e vai continuar na mesma. A menos que ele queira se modificar. Mas não se iluda, o mais certo é o sapo ficar lá no mesmo lugar...
Mas, supondo que minha amiga queira pagar para ver.
Então, é necessário ter a tal serenidade para compreender a situação, adquirir conhecimentos sobre os vários tipos de drogas, e discernir o estagio em que o sapo, digo, príncipe está no uso da droga. Isto feito é arregaçar as mangas e se preparar para muita luta: ele vai faltar a compromissos, vai ter problemas de saúde, vai dar vexame, vai criar problemas no trabalho e na vida social, sem contar com as terríveis alterações de humor (agressividade, tristeza, desinteresse de tudo e de todos, incluindo você), violência.
Então, o que fazer?
Eu digo que, caia fora rapidinho.
Mas se o sapo, digo, príncipe, for mesmo o máximo, então muna-se de toda a paciência do mundo e não finja que nada está acontecendo. Chame o bonitão para uma conversa franca, estabeleça regras e limites para dar um basta na situação.
Isto significa explicar para ele que todas as responsabilidades da vida a dois, serão compartilhadas, custe o que custar. E dê a ele as responsabilidades que a ele pertença. Não o superproteja em nenhuma circunstância. Converse muito e mostre a ele que o ama... se puder.
O apoio sincero é muito importante para que ele procure ajuda.
Mas, para minha amiga que me pede uma palavra, com carinho, digo sem dó nem piedade: sai fora, que é friaaaaa....
Contem comigo, conto com vocês.
Irani de Castro
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