Imagem: divulgação
Craque do rally reconhecido no Brasil e no Exterior, o piloto do caminhão da Equipe Petrobras Lubrax*, André Azevedo, está experimentando uma nova modalidade de desafio pessoal: falar sobre segurança de trânsito e cidadania a alunos de escolas da rede pública de São José dos Campos (SP), sua cidade natal e sede da Escuderia que lidera. A origem do desafio está na preocupação do piloto com a violência do tráfego. De tanto presenciar acidentes nas ruas, avenidas e estradas, ele decidiu empunhar a bandeira de defesa da vida no trânsito e do esclarecimento de motoristas e futuros motoristas.
Engenheiro de formação, o joseense André Azevedo preferiu a velocidade. Em 1988, foi um dos primeiros brasileiros a competir no Rally Dakar com motocicleta, competição da qual participou 23 vezes. Foi campeão do Dakar em 1991 e três vezes vice-campeão (1990, 1994 e 1997) com moto. No caminhão, foi vice (2003), 3º colocado (1999) e 4º colocado (2000). Chegou a ser navegador no Rally dos Sertões, conquistando duas vitórias entre os Carros (1997/1998). Atualmente é piloto do Caminhão, tendo vencido os Sertões três vezes na categoria (2000, 2002 e 2004).
No ano passado, aliou-se à Secretaria da Educação do Trânsito de São José dos Campos e a um dos seus patrocinadores, a CCR NovaDutra, para criar o PET, Programa de Educação no Trânsito, que visa levar informações sobre trânsito e cidadania às escolas e às ruas da cidade.
Na última semana, quando encerrou o ciclo de palestras deste ano, André falou sobre essa nova “modalidade” que ele vem empreendendo no tempo disponível entre treinos, compromissos com patrocinadores e corridas. A partir de agora, o piloto concentra-se nos preparativos para a Copa Baja (SC), entre os dias 12 e 15 de novembro, e o Rally dos Amigos, em Itatinga (SP), que ocorre de 10 a 11 de dezembro. Depois disso, o pensamento fica focado no Rally Dakar, que ocorre na primeira quinzena de 2011, entre Argentina e Chile.
Pergunta - Como é a vida de palestrante entre jovens?
André Azevedo - É difícil. Às vezes, é mais complicado do que pilotar em trilhas do deserto do Atacama (risos). O primeiro desafio é prender a atenção dos jovens, que hoje são muito mais agitados e informados do que éramos nos meus tempos de menino. Depois, é necessário ser muito claro e preciso naquilo que se fala e ter bom jogo de cintura para responder às perguntas, em geral, sinceras e objetivas.
Pergunta - Não há uma contradição em um piloto de corridas falar sobre segurança de trânsito?
André Azevedo - De forma alguma, exatamente pelo fato de ser piloto e de me preparar permanentemente para as competições, tenho condições de indicar com propriedade os riscos dos comportamentos inseguros. E isso fica bem claro para os jovens. Porque uma corrida é risco o tempo todo, mas é risco calculado, sob condições controladas e em um ambiente esportivo, previsível e que atende a regras rígidas de segurança e comportamento. É muito menor o risco que se corre em um rally do que no trânsito do dia-a-dia, porque os competidores são profissionais capacitados, bem treinados e que respeitam a regra número um em qualquer situação do trânsito: zelar pela vida, antes de mais nada.
Pergunta -E como você faz para prender a atenção dos jovens espectadores das suas palestras?
André Azevedo - Olha, o desafio foi grande, mas acho que me dei bem. Foram aproximadamente 1.700 espectadores na faixa etária entre 14 e 16 anos em várias palestras. É claro que tem uns que são mais agitados do que outros, mas, no geral, foi muito bom. Eu conto a minha trajetória profissional, originada no sonho em ser piloto de ralis. Eles assistem a alguns vídeos das competições de que participei nestes últimos 36 anos, literalmente “na estrada”. E muitas imagens mostram como não foi fácil o caminho que escolhi. Todos os anos aconteciam fatos que me ensinavam a ter mais cuidado mesmo no trânsito de minha cidade. Dos acidentes que me envolvi e presenciei restaram várias lições que repasso a eles com “causos”, exemplos e dicas.
Pergunta -É um público arisco quando se fala em segurança, não é não?
André Azevedo - São difíceis, sim. Estamos trabalhando com adolescentes ansiosos, que querem atingir logo os 18 anos para pegar a carteira de habilitação e assim conquistar mais liberdade no ir, sair sozinhos ou com amigos. Isto é natural, pois é uma das buscas da individualidade e da identidade dos jovens. Eu tenho dois filhos: Natalia, de 17 anos, e Lucas, de 14, e sei muito bem o que é isto, ainda mais eles, que têm um pai e um tio pilotos de competição. Dessa forma, em minhas palestras tento mostrar como um bom preparo com treinamentos de direção, conhecimento das regras, noção de mecânica e boa educação no trânsito poderá ajudá-los quando entrarem para esta categoria de motoristas. Afinal, no momento eles são pedestres, ciclistas ou passageiros de outros motoristas e de certa maneira podem ajudar muito o trânsito, respeitando as regras ou ajudando os motoristas quando se virem em situações pertinentes.
Pergunta -Você é um piloto cuidados no trânsito?
André Azevedo - Sim, sou cuidadoso, até porque sei dos riscos de que falo. Além disso, tenho que ser mais cuidadoso do que a média porque, em minha posição, tenho que dar o exemplo, tanto como pai, quanto como pessoa pública. Se não respeitamos as regras de trânsito, como andar em velocidade acima do permitido, ou fazer uma conversão sem sinalizar, ou usar o telefone celular ao volante, como ensinar o correto? No rali tenho uma série de regras a seguir, também levamos uma boa punição ao desrespeitá-las, que são muitas vezes mais severas que as do trânsito normal. As regras e leis impostas para ambos têm a mesma finalidade: trazer mais segurança a todos os envolvidos.
Pergunta -Como você faz com os jovens mais resistentes ou engraçadinhos?
André Azevedo - Sabemos que as cenas de acidentes são as que mais impressionam, e para aqueles mais "rebeldes", quando respondem a minha pergunta sobre se usam a faixa de pedestre para cruzar uma avenida e alguns respondem que não, eu recomendo a fazerem uma visita ao pronto socorro mais próximo. Ali eles verão a consequência dos acidentes mais tolos. Eu já passei por situações ruins como esta e, infelizmente, conheci este tipo de dor. Tolerância e consciência são as chaves para uma conduta correta ao volante. É preciso utilizar mais a conversa com os jovens do que dar o chamado sermão. A liberdade de ir e vir é para ser desfrutada e contribuir para uma evolução individual. Espero ter plantado uma semente que dará origem, no mínimo, a motoristas responsáveis. Os jovens que estou trabalhando hoje são os condutores de amanhã. É preciso conscientizar a todos de nossos deveres e responsabilidades. E dirigir é tão ou mais importante do que pilotar.
(*) A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Fazenda Real, Eye to Eye, SCHIO e Artfix.



















