Sexta, 18 de Maio de 2012
Você está aqui: Home Esporte Entrevista: André Azevedo fala sobre segurança de trânsito em escolas

Entrevista: André Azevedo fala sobre segurança de trânsito em escolas

E-mail Imprimir PDF
Piloto de rally André Azevedo, fala sobre sua experiência de palestras sobre segurança de trânsito em salas de aula de sua cidade, São José dos Campos (SP).

Imagem: divulgação
Craque do rally reconhecido no Brasil e no Exterior, o piloto do caminhão da Equipe Petrobras Lubrax*, André Azevedo, está experimentando uma nova modalidade de desafio pessoal: falar sobre segurança de trânsito e cidadania a alunos de escolas da rede pública de São José dos Campos (SP), sua cidade natal e sede da Escuderia que lidera.

A origem do desafio está na preocupação do piloto com a violência do tráfego. De tanto presenciar acidentes nas ruas, avenidas e estradas, ele decidiu empunhar a bandeira de defesa da vida no trânsito e do esclarecimento de motoristas e futuros motoristas.

Engenheiro de formação, o joseense André Azevedo preferiu a velocidade. Em 1988, foi um dos primeiros brasileiros a competir no Rally Dakar com motocicleta, competição da qual participou 23 vezes.  Foi campeão do Dakar em 1991 e três vezes vice-campeão (1990, 1994 e 1997) com moto. No caminhão, foi vice (2003), 3º colocado (1999) e 4º colocado (2000). Chegou a ser navegador no Rally dos Sertões, conquistando duas vitórias entre os Carros (1997/1998). Atualmente é piloto do Caminhão, tendo vencido os Sertões três vezes na categoria (2000, 2002 e 2004).

No ano passado, aliou-se à Secretaria da Educação do Trânsito de São José dos Campos e a um dos seus patrocinadores, a CCR NovaDutra, para criar o PET, Programa de Educação no Trânsito, que visa levar informações sobre trânsito e cidadania às escolas e às ruas da cidade.

Na última semana, quando encerrou o ciclo de palestras deste ano, André falou sobre essa nova “modalidade” que ele vem empreendendo no tempo disponível entre treinos, compromissos com patrocinadores e corridas.  A partir de agora, o piloto concentra-se nos preparativos para a Copa Baja (SC), entre os dias 12 e 15 de novembro, e o Rally dos Amigos, em Itatinga (SP), que ocorre de 10 a 11 de dezembro. Depois disso, o pensamento fica focado no Rally Dakar, que ocorre na primeira quinzena de 2011, entre Argentina e Chile.

Pergunta - Como é a vida de palestrante entre jovens?

André Azevedo - É difícil. Às vezes, é mais complicado do que pilotar em trilhas do deserto do Atacama (risos). O primeiro desafio é prender a atenção dos jovens, que hoje são muito mais agitados e informados do que éramos nos meus tempos de menino. Depois, é necessário ser muito claro e preciso naquilo que se fala e ter bom jogo de cintura para responder às perguntas, em geral, sinceras e objetivas.

Pergunta - Não há uma contradição em um piloto de corridas falar sobre segurança de trânsito?

André Azevedo - De forma alguma, exatamente pelo fato de ser piloto e de me preparar permanentemente para as competições, tenho condições de indicar com propriedade os riscos dos comportamentos inseguros. E isso fica bem claro para os jovens. Porque uma corrida é risco o tempo todo, mas é risco calculado, sob condições controladas e em um ambiente esportivo, previsível e que atende a regras rígidas de segurança e comportamento. É muito menor o risco que se corre em um rally do que no trânsito do dia-a-dia, porque os competidores são profissionais capacitados, bem treinados e que respeitam a regra número um em qualquer situação do trânsito: zelar pela vida, antes de mais nada.

Pergunta -E como você faz para prender a atenção dos jovens espectadores das suas palestras?

André Azevedo - Olha, o desafio foi grande, mas acho que me dei bem. Foram aproximadamente 1.700 espectadores na faixa etária entre 14 e 16 anos em várias palestras. É claro que tem uns que são mais agitados do que outros, mas, no geral, foi muito bom. Eu conto a minha trajetória profissional, originada no sonho em ser piloto de ralis. Eles assistem a  alguns vídeos das competições de que participei nestes últimos 36 anos,  literalmente “na estrada”. E muitas imagens mostram como não foi fácil o caminho que escolhi. Todos os anos aconteciam fatos que me ensinavam a ter mais cuidado mesmo no trânsito de minha cidade. Dos acidentes que me envolvi e presenciei restaram várias lições que repasso a eles com “causos”, exemplos e dicas.

Pergunta -É um público arisco quando se fala em segurança, não é não?

André Azevedo - São difíceis, sim. Estamos trabalhando com adolescentes ansiosos, que querem atingir logo os 18 anos para pegar a carteira de habilitação e assim conquistar mais liberdade no ir, sair sozinhos ou com amigos. Isto é natural, pois é uma das buscas  da individualidade e da identidade dos jovens. Eu tenho dois filhos: Natalia, de 17 anos, e Lucas, de 14, e sei muito bem o que é isto, ainda mais eles, que têm um pai e um tio pilotos de competição. Dessa forma, em minhas palestras tento mostrar como um bom preparo com treinamentos de direção, conhecimento das regras, noção de mecânica e boa educação no trânsito poderá ajudá-los quando entrarem para esta categoria de motoristas. Afinal, no momento eles são pedestres, ciclistas ou passageiros de outros motoristas e de certa maneira podem  ajudar muito o trânsito, respeitando as regras ou ajudando os motoristas quando se virem em situações pertinentes.

Pergunta -Você é um piloto cuidados no trânsito?

André Azevedo - Sim, sou cuidadoso, até porque sei dos riscos de que falo. Além disso, tenho que ser mais cuidadoso do que a média porque, em minha posição, tenho que dar o exemplo, tanto como pai, quanto como pessoa pública. Se não respeitamos as regras de trânsito, como andar em velocidade acima do permitido, ou fazer uma conversão sem sinalizar, ou usar o telefone celular ao volante, como ensinar o correto?  No rali tenho uma série de regras a seguir, também levamos uma boa punição ao desrespeitá-las, que são muitas vezes mais severas que as do trânsito normal. As regras e leis impostas para ambos têm a mesma finalidade: trazer mais segurança a todos os envolvidos.

Pergunta -Como você faz com os jovens mais resistentes ou engraçadinhos?

André Azevedo - Sabemos que as cenas de acidentes são as que mais impressionam, e para aqueles mais "rebeldes", quando respondem a minha pergunta sobre se usam a faixa de pedestre para cruzar uma avenida e alguns respondem que não, eu recomendo a fazerem uma visita ao pronto socorro mais próximo. Ali eles verão a consequência dos acidentes mais tolos. Eu já passei por situações ruins como esta e, infelizmente, conheci este tipo de dor. Tolerância e consciência são as chaves para uma conduta correta ao volante. É preciso utilizar mais a conversa com os jovens do que dar o chamado sermão. A liberdade de ir e vir é para ser desfrutada  e contribuir para uma evolução individual. Espero ter plantado uma semente que dará origem, no mínimo, a motoristas responsáveis. Os jovens que estou trabalhando hoje são os condutores de amanhã. É preciso conscientizar a todos de nossos deveres e responsabilidades. E dirigir é tão ou mais importante do que pilotar.

(*) A Equipe Petrobras Lubrax tem patrocínio da Petrobras, Petrobras Distribuidora, Mitsubishi Motors do Brasil, CCR NovaDutra, e apoio da Mercedes-Benz Caminhões, Renov, BorgWarner, Mahle, Kaerre, Capacetes Bieffe, Sparco América Latina, Fazenda Real, Eye to Eye, SCHIO e Artfix.Entrevista: André Azevedo fala sobre segurança de trânsito em escolas

Suzana Pissurno diz:

0
Experiência!!
Só uma pessoa que vive como André Azevedo pode falar com tanta propriedade da violência no trânsito!
Parabéns por enfrentar o desafio!
Suzana Pissurno.
 
26 de outubro de 2010
Votos: +0


busy