As demissões da Embraer vão completar dois meses e ainda são questionadas na Justiça. O presidente da empresa, Frederico Curado, concedeu uma entrevista ao Vanguarda TV 1ª Edição. Confira.
Credito: Reprodução / Rede VanguardaDecisão do TRT
Curado - A decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Campinas declara que a empresa conduziu as demissões de forma abusiva, e a condena a pagar indenizações adicionais aos empregados - o que já havíamos oferecido e iríamos pagar de qualquer forma. Já asseguramos a extensão do plano médico para os ex-empregados e familiares até março do ano que vem, e o pagamento dos dois salários adicionais foi feito em 2 de abril. Vamos recorrer da decisão da abusividade porque entendemos que cumprimos com a legislação à risca. Então, não existe figura da abusividade. Estamos recorrendo desse mérito, exclusivamente.
“Demissões foram desnecessárias”, ataca Sindicato
Curado – Quanto ao aumento de entrega de aviões, essa matemática já é bem conhecida. Ano passado, entregamos 202 aeronaves de maior porte - como o Legacy - e dois Phenom – destinado à área militar. Em 2009, serão apenas 132 de grande porte e 110 Phenom. Então, a somar dos aviões por si só é incorreto, porque a carga de trabalho de um Phenom é dez vezes menor do que um de maior parte.
A redução efetiva é de 30%. Não estamos lidando com uma redução pequena. Por mais triste que fosse – e foi muito duro para a gente tomar essa decisão – era necessário. Preservamos 17 mil empregos, tendo, infelizmente, que fazer essa redução. Foi tomada uma série de outras medidas para assegurar que a empresa sobreviva a essa crise, como redução de estoque, de pagamento de fornecedores e até do dividendo dos acionistas. Nós não sabemos até quando essa crise vai durar, mas não deverá ser menos de um ano e meio afetando diretamente nosso setor.
Mais demissões?
Curado – Tenho procurado dizer que quem determina nível de emprego não é a diretoria da empresa, não é sindicato, nem o governo – é o mercado, os clientes. Posso afirmar que não há planos de redução adicional. Na nossa visão, não há mais necessidade. Mas isso vai depender de como o mercado se comporta.
Retomada dos negócios
Curado – Apesar dos contratos que a empresa vem assinando, é cedo para se falar em retomada. Temos expectativa de um programa na área de Defesa. O ministro [da Defesa] Nelson Jobim definiu uma estratégia de defesa nacional, que eu acho que é uma peça importantíssima que faltava na nossa sociedade. Isso dará uma visibilidade de um aparelhamento das Forças Armadas. Já foi noticiada a compra de helicópteros e submarinos franceses, e esperamos que a Embraer também possa participar dessa perspectiva. Estamos discutindo isso com a Força Aérea, e temos expectativa positiva nesse sentido. Se isso acontecer temos alguns anos para nos desenvolver – isso é carga para área de engenharia – e, mais na frente, mais um produto, gerando carga na produção
A crise mundial
Curado – O volume de dinheiro que já se colocou no sistema é tão absurdamente alto que temos que acreditar que, em algum momento - eu falo em alguns meses -, pelo menos comece a se estabilizar a situação. A retomada até pode ser que demore um pouco, mas a enorme injeção de recursos tem que dar resultado. É uma questão quase matemática. A questão é até que ponto essa credibilidade gera segurança no consumidor, a nível mundial, para que ele volte a gastar. O encontro do G20 acabou sendo melhor do que o esperado. Acho que é promissor. Então vamos torcer para que até o fim do ano nós possamos ver uma luz no fim do túnel. (Fonte: VNews)




















