Foram dias de destruição, que vão permanecer na lembrança de moradores e turistas. Em apenas quatro dias choveu em São Luiz o que era previsto para todo o verão.Apenas no dia 24 de dezembro, véspera do Natal choveu 244 mm, ou seja, mais do que todo o mês de novembro. Segundo a Defesa Civil, a maior enchente antes passada foi quando o rio Paraitinga subiu 4 m, isso depois de uma chuva de 166 mm. Nessa tragédia o rio subiu 10 m, ocasionando a maior tragédia que a cidade já passou. A cidade foi inundada e as igrejas da matriz de São Luis Tolosa e de Nossa Senhora das Mercês ruíram, ambas de valores históricos inestimáveis. Casarões tombados pelo Condephat, a escola, o mercado e casas populares caíram, pois os alicerces não suportaram a infiltração da água. O mercado municipal ficou submerso, além do posto de gasolina, localizado no trecho de acesso à cidade, e a ponte no Km 44 da Rodovia Oswaldo Cruz, afetando a ligação viária entre Ubatuba e Taubaté. Técnicos explicaram que a estrada seria liberada após finalização do laudo dos pilares da ponte, para que seja evitada tragédias maiores.
Depois que o nível das águas baixou à normalidade, que chegou a atingir cerca de dez metros acima do normal na sexta-feira e no sábado, que foram os piores dias das inundações foi possível verificar o lixo acumulado dessa enxurrada.
Para auxiliar os moradores da cidade, duas empresas se uniram e apresentaram um projeto para a prefeita de São Luiz Ana Lucia Bilardi Sicherie, para a retirada de todo o lixo. Foram às empresas: A2 Ambiental, de Pindamonhangaba e a A. Penido Construtora, de Guaratinguetá, responsáveis por esse projeto.
Em visita a cidade, o Dr. Amilton representante da A2, juntamente com Antonio Penido, representante da Construtora, perceberam que além do acúmulo do lixo, esses montantes estavam exalando um odor muito característico, proveniente de uma bactéria denominada Pseudômonas, que segundo Amilton provoca uma grave infecção nas pessoas e que é difícil de tratar. Sendo assim a retirada desse lixo era de extrema urgência. O projeto era para que o entulho fosse retirado e encaminhado ao aterro sanitário Resicontrol, localizado na cidade de Tremembé. Ana Lucia Bilardi, prefeita de São Luiz, aceitou o projeto. Foram apenas seis dias, mas de muito trabalho, para a retirada total desse lixo contaminado pelo esgoto. Nesse árduo trabalho, as duas empresas contaram com a ajuda do Secretário de Obras da cidade, eng. Nobohiro, o eng. Jairo Borriello, voluntário, que trabalha no projeto de reconstrução do patrimônio histórico de São Luiz, além do apoio das empresas da região. “Foram seis dias de trabalho, 2.400 toneladas de lixo retirado e para isso nós montamos uma logística de guerra, onde a cidade foi dividida em zonas, de onde partia os caminhões carregados para uma estação de transbordo. E desta estação o lixo era enviado em carretas para o destino final, o aterro sanitário”, relatou o médico e representante da A2 Ambiental, Dr. Amilton.
Agora, para a reconstrução da cidade e o auxilio aos moradores da cidade, diversas campanhas mobilizaram a população para arrecadar mantimentos, remédios, roupas, produtos de limpeza e de higiene, fraldas, colchões, cobertores, velas, fósforos, lampiões e outros objetos para distribuição aos desabrigados. Geólogos foram chamados para ajudarem na avaliação das casas e sobrados da imperial São Luiz do Paraitinga.
As águas baixaram e já voltaram ao nível normal do leito do rio Paraitinga. A estimativa é de que os prejuízos ficaram acima de R$ 100 milhões. Os desabrigados foram levados ao morro do Cruzeiro, parte mais elevada da cidade. Para os moradores da cidade, ainda é difícil de entender o que aconteceu. Alguns acreditam que isso seja um castigo, porque essa foi demais. Segundo eles, há muitos anos parece que chegou ao degrau da igreja, mas não afetou casas como dessa vez.




















